Rota de integração entre MG e BA começa a sair do papel
Ligação entre Diamantina e o litoral da Bahia, reunindo trechos da BR-367, MG-114 e LMG-677, começa a sair do papel, mas ainda depende de acertos entre o estado e a União
Bernardino Furtado - Estado de Minas
Ligação entre Diamantina e o litoral da Bahia, reunindo trechos da BR-367, MG-114 e LMG-677, começa a sair do papel, mas ainda depende de acertos entre o estado e a União
Bernardino Furtado - Estado de Minas
Marcelo Sant'Anna/EM/D.A Press
Obras na rodovia MG-114 do Proacesso, nas proximidades de Leme do Prado, estão em ritmo acelerado, com previsão de entrega de 83 quilômetros asfaltados até janeiro do ano que vem
Leme do Prado (MG) – A integração por asfalto do Vale do Jequitinhonha está saindo do plano dos sonhos. Um passo importante para isso é a pavimentação em andamento de 83 quilômetros da rodovia MG-114, a um preço relativamente baixo. Menos de R$ 37 milhões estão sendo gastos no trecho sob o guarda-chuva do Programa Proacesso, do governo do estado. O objetivo principal do investimento é levar o asfalto às cidades de Leme do Prado e de José Gonçalves de Minas. Mas, graças a essa obra, faltarão apenas 10 quilômetros da MG-114 e outros 40 quilômetros da LMG-677, entre o distrito de Lelivédia, no município de Berilo, e a cidade de Virgem da Lapa, para reduzir a distância por asfalto de Araçuaí a Belo Horizonte em 100 quilômetros. Seria um investimento pequeno com grandes ganhos para a região e o estado. Basta lembrar que, sem retorno econômico e social relevante para o Vale do Jequitinhonha, conforme o Estado de Minas mostrou em reportagem ontem, a Hidrelétrica de Irapé custou R$ 1 bilhão, sendo R$ 120 milhões do Tesouro Estadual. A grande vantagem da ligação rodoviária formada pela MG-114 e a LMG-677 é a topografia. São 110 quilômetros, aproximadamente, sem uma única ponte ou viaduto. O traçado rasga a chapada do Jequitinhonha e por mais de 90 quilômetros é plano, com grandes e largas retas. O trecho final, próximo a Virgem da Lapa, tem inclinações e curvas moderadas. Segundo a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop), a pavimentação entre o trevo de José Gonçalves de Minas e a cidade de Virgem da Lapa faz parte de um programa em estudo denominado Links Faltantes, que pretende prencher lacunas na malha rodoviária pavimentada de Minas. Por muitos anos, a rota Diamantina – Araçuaí projetada pelo governo federal foi a BR-367. O asfalto foi estendido até a cidade de Minas Novas, passando por Turmalina. No entanto, esse eixo tem de vencer os acidentados vales do Rio Araçuaí e de seus afluentes. Desse trecho asfaltado, a parte inicial, de 32 quilômetros, entre o trevo da MG-114 e a cidade de Turmalina, é quase inteiramente feita em curvas fechadas e rampas íngremes. Há duas pontes estreitas. A principal delas, sobre o Rio Araçuaí, não tem largura suficiente para o tráfego em mão dupla. A lembrança mais incômoda da tentativa de concluir a pavimentação da BR-367 é o esqueleto de um viaduto sobre o Rio Fanado, que serviria também para desviar o trânsito das ruas estreitas do centro histórico de Minas Novas. O custo total do viaduto é de aproximadamente R$ 5 milhões, dos quais R$ 3,6 milhões já foram gastos. Dos 44 quilômetros do sinuoso caminho para Berilo, apenas 5 quilômetros foram pavimentados entre Minas Novas e Chapada do Norte. O último segmento sem pavimentação da Transjequitinhonha compreende 60 quilômetros entre as proximidades da cidade de Jacinto e Salto da Divisa. É um dos trechos que entraram numa espécie de limbo depois da edição da Medida Provisória nº 82, no apagar das luzes do segundo governo Fernando Henrique, em dezembro de 2002. A MP transferiu para 14 estados a administração de vários trechos de estradas federais e R$ 130 mil por quilômetro a título de compensação. No entanto, passados quase seis anos, a transferência não foi concluída porque os estados reclamam um repasse maior de recursos para assumir as rodovias federais. A chegada do asfalto à cidade de Jacinto está na lista do Proacesso, mas nem sequer há autorização para a abertura de concorrência para obra por causa do impasse entre estados e União acerca da aplicação da MP nº 82.
Fonte: http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2008/09/01/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=77695/em_noticia_interna.shtml
Acesso em 01/09/2008